Biblioteca História

Silva Freire

Benedito Sant'Anna da Silva Freire, nascido no dia da Revolução Farroupilha, a 20 de setembro de 1928, em Mimoso, Terra de Rondon. Advogado criminalista, jornalista cultural, poeta moderno, professor universitário da Faculdade de Direito da UFMT, com relevantes contribuições na história político partidária sob a bandeira dos ideais trabalhistas. A vida estudantil de Silva Freire, em especial a sua atuação como secretário geral da União Nacional dos Estudantes (UNE), propiciou que unisse duas preocupações básicas: luta pela justiça social e pelo acesso à cultura. Apesar das multiplicidades de ocupações, o compromisso estético, político e ético, foram o alicerce comum às suas ações e comportamentos.

As diferentes faces do poeta Silva Freire e sua obra propiciam experimentar uma concepção de educação crítica, cujo eixo central é a relação educação-política e a compreensão crítica dos problemas e desigualdades sociais visando uma prática transformadora da realidade, concebendo a educação como instrumento de transformação da sociedade capitalista globalizada, através do acesso da classe trabalhadora ao conhecimento e à cultura.

A afinidade entre Silva Freire e o grande educador Paulo Freire, vai muito além do sobrenome em comum, mas entrelaça-se na concepção de mundo e homem. Como se pode constatar em sua obra ao retratar o cotidiano do pantaneiro, do ribeirinho, das redeiras, do boêmio, de seu falar e do seu viver, destacando o imaginário popular na busca por delinear o que ele denominou de cuiabania, a identidade cultural do povo deste lugar.

Em sua produção literária utilizou os espaços em branco do papel e a multiplicidade de significados das palavras para, juntamente com o leitor, interpretar a realidade em sua dimensão poética, revelando a concepção sócio-interacionista que fundamenta a sua obra.

Para o educador Célio da Cunha (1980), Silva Freire soube captar a essência desta terra e de sua gente, sem, contudo, ficar circunscrito a um determinado lugar. Na apresentação do livro Trilogia Cuiabana em 1991, Wladimir Dias Pino relembra "O Silva Freire de sempre, em sociedade com sua época, documenta, de forma bastante clara, a relação de bem querer entre o poeta e sua vinculada comunidade: a sua maior obsessão".

Em tempos de globalização da sociedade e de valorização da identidade local, a sua produção traz elementos para a discussão de temáticas variadas que remetem às raízes da identidade cultural mato-grossense, à autonomia e, sobretudo, à alteridade, permitindo ao leitor fazer o exercício de se colocar no lugar do outro, exercitando a convivência entre diferentes, possibilitando enxergar o viés sociológico, político e pedagógico de sua vida e obra.